Arte rupestre da África do Sul revela cenas de dança com mais de mil anos
- Márcia Oliveira
- há 2 dias
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Um estudo recente trouxe novos detalhes sobre cenas de dança retratadas em pinturas rupestres da África do Sul, ampliando o entendimento sobre a vida espiritual, social e cultural dos povos ancestrais do continente. As imagens analisadas foram produzidas pelos San, também conhecidos como bosquímanos, considerados um dos povos mais antigos da África Austral.
As pinturas, encontradas principalmente na região das montanhas Drakensberg, mostram grupos humanos em movimento, com posturas corporais repetidas, braços erguidos e formações circulares — características que os pesquisadores interpretam como danças rituais.
De acordo com os especialistas, essas representações vão muito além de simples cenas do cotidiano. A dança, para os povos San, estava ligada a rituais de cura, estados de transe e conexão espiritual, nos quais o movimento do corpo era uma ponte entre o mundo físico e o espiritual. Em algumas imagens, os corpos aparecem inclinados ou com linhas saindo da cabeça, elementos associados a experiências xamânicas.
O estudo também indica que essas pinturas não eram apenas registros visuais, mas formas de transmitir conhecimento, ensinamentos e valores coletivos entre gerações. Em sociedades sem escrita formal, a arte rupestre funcionava como linguagem, memória e identidade cultural.
Datadas de mais de mil anos, as pinturas reforçam a importância da África como um dos maiores berços da expressão artística e simbólica da humanidade. Elas mostram que música, dança e espiritualidade sempre estiveram no centro da organização social africana — muito antes do contato com outras civilizações.
Hoje, esses sítios arqueológicos são considerados patrimônio histórico e ajudam a reconstruir uma narrativa muitas vezes invisibilizada: a de que a arte africana ancestral era complexa, sofisticada e profundamente conectada à vida em comunidade.
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