EUA realizam ataques mortais contra o Estado Islâmico na Nigéria e reacendem debate sobre segurança no Sahel
- Márcia Oliveira

- 26 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Os Estados Unidos realizaram ataques mortais contra posições do Estado Islâmico na Nigéria, num novo episódio da escalada militar internacional contra grupos jihadistas que atuam na África Ocidental. As operações, confirmadas por autoridades norte-americanas, tiveram como alvo militantes ligados à filial do grupo terrorista conhecida como Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP), ativa sobretudo na região do Lago Chade, área marcada por instabilidade crônica e conflitos armados há mais de uma década.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, os ataques resultaram na morte de combatentes do grupo extremista e fazem parte de uma estratégia mais ampla de cooperação em segurança entre Washington e países africanos que enfrentam insurgências jihadistas, como a Nigéria.
Alvo: filiais do Estado Islâmico na África
O ISWAP é uma dissidência do Boko Haram e atua principalmente no nordeste nigeriano, explorando fronteiras porosas entre Nigéria, Níger, Chade e Camarões. O grupo tem como alvos forças de segurança, comunidades locais e infraestrutura civil, além de manter controle territorial temporário em áreas remotas.
De acordo com o governo dos Estados Unidos, os ataques visaram lideranças e bases operacionais do grupo, consideradas uma ameaça direta à estabilidade regional e aos interesses internacionais de segurança. Autoridades americanas não divulgaram números exatos de mortos nem detalhes técnicos da operação, citando razões estratégicas.
Contexto regional: violência persistente e crise humanitária
Reportagem da BBC News Brasil destaca que a região do nordeste da Nigéria continua a viver um cenário de violência persistente, apesar de anos de operações militares nacionais e internacionais. Milhares de pessoas foram mortas desde o início da insurgência jihadista, e milhões permanecem deslocadas internamente, dependentes de ajuda humanitária.
A BBC ressalta ainda que grupos armados têm se aproveitado:
da fragilidade do Estado em áreas rurais;
da pobreza extrema e do desemprego juvenil;
de tensões étnicas e religiosas históricas;
da dificuldade de coordenação entre forças regionais.
Cooperação militar e controvérsias
Os ataques norte-americanos ocorrem num momento em que cresce o debate sobre o papel das potências estrangeiras em conflitos africanos. Enquanto governos aliados defendem a cooperação militar como necessária para conter o avanço jihadista, organizações de direitos humanos alertam para riscos de vítimas civis, radicalização local e dependência excessiva de soluções militares.
A Nigéria, por sua vez, tem reforçado que lidera suas próprias operações de segurança, mas admite a importância do apoio logístico, de inteligência e tecnológico fornecido por parceiros internacionais.
Impacto político e desafios futuros
Especialistas ouvidos por veículos internacionais apontam que, embora ataques pontuais possam enfraquecer momentaneamente grupos terroristas, eles não resolvem as causas estruturais do conflito. Sem investimentos consistentes em:
desenvolvimento econômico;
governança local;
educação;
inclusão social;
reconstrução de comunidades afetadas,
a tendência é que novas facções armadas continuem a surgir.
O episódio reforça a centralidade da Nigéria no tabuleiro da segurança africana e internacional e evidencia que o combate ao extremismo violento na região do Sahel e do Lago Chade permanece um dos maiores desafios geopolíticos do continente.
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