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Estudo aponta que várias espécies humanas saíram da África há 1,8 milhão de anos

  • Foto do escritor: Márcia Oliveira
    Márcia Oliveira
  • 5 de jan.
  • 2 min de leitura

Um novo estudo científico reforça a ideia de que a África foi o grande berço da humanidade, mas traz um dado decisivo: não foi apenas uma única espécie humana que deixou o continente africano no início da história evolutiva. Segundo a pesquisa, várias espécies de hominíneos já migravam para fora da África há cerca de 1,8 milhão de anos, muito antes do surgimento do Homo sapiens moderno.

A descoberta aprofunda e reformula a teoria conhecida como “Out of Africa”, ampliando a compreensão sobre como a humanidade se espalhou pelo planeta.


Migrações múltiplas e mais complexas

Durante décadas, acreditou-se que uma única espécie — geralmente associada ao Homo erectus — teria sido a responsável pela primeira grande migração para fora da África. O novo estudo, no entanto, sugere que diversos grupos humanos primitivos coexistiram e migraram simultaneamente, ocupando regiões da Eurásia em diferentes ondas.

Essas populações apresentavam diferenças anatômicas significativas, indicando que não se tratava de um grupo homogêneo, mas de um conjunto de espécies aparentadas, com adaptações próprias a distintos ambientes.


Evidências fósseis decisivas

Grande parte das conclusões se baseia na análise de fósseis encontrados em Dmanisi, na atual Geórgia. O sítio arqueológico é considerado um dos mais importantes do mundo para o estudo das primeiras migrações humanas fora da África.

Os fósseis de Dmanisi, datados de aproximadamente 1,8 milhão de anos, revelam indivíduos com tamanhos de cérebro, estruturas faciais e estaturas diferentes, sugerindo a presença de mais de uma espécie humana no mesmo período e local.


O papel central da África

Apesar das migrações precoces, os pesquisadores reforçam que todas essas espécies tiveram origem africana. A África permaneceu como o principal centro de diversidade humana por milhões de anos, funcionando como um verdadeiro laboratório evolutivo, onde diferentes linhagens surgiram, se adaptaram e, em alguns casos, migraram.

Essa dinâmica ajuda a explicar por que o continente africano concentra a maior diversidade genética humana do planeta até hoje.


Impacto na história da evolução humana

A constatação de múltiplas saídas da África altera a narrativa linear da evolução humana e aponta para um processo:

  • não linear,

  • marcado por sobreposição de espécies,

  • com migrações intermitentes,

  • adaptações rápidas a novos ambientes.

Especialistas afirmam que essas migrações iniciais pavimentaram o caminho para o surgimento posterior de espécies como Homo neanderthalensis e, muito mais tarde, do próprio Homo sapiens, que deixaria a África em novas ondas migratórias a partir de cerca de 70 mil anos atrás.


Um quebra-cabeça em constante reconstrução

Os cientistas destacam que a história da humanidade continua a ser revisada à medida que novas descobertas surgem. Cada novo fóssil, ferramenta de pedra ou avanço tecnológico em datação e análise genética contribui para um quadro mais complexo — e mais fascinante — sobre nossas origens.

A pesquisa reforça uma certeza fundamental: a história humana começa na África, mas desde muito cedo foi marcada por movimento, diversidade e adaptação, características que continuam a definir a humanidade até os dias atuais.



FONTE/SAIBA MAIS:

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